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Sardinha - fonte de ômega-3
16/09/2009
Elas costumavam nadar em grandes cardumes pelos mares da Sardenha, ilhalocalizada no Mediterrâneo — daí seu nome. Aventureiras, navegaramquilômetros até disseminar populações de sua espécie pelos váriosoceanos do mundo . Ao longo de sua missão desbravadora, vieram pararnas águas — e no prato — dos brasileiros, formando a família Sardinellabrasiliensis, a típica iguaria nacional. Por ser tão comum e ter umbaixíssimo custo, nem todo mundo se dá conta de que a sardinha escondeuma riqueza inestimável.
“Ela contém ácido graxo ômega-3 emquantidades que não deixam nada a desejar a parentes estrangeiros, comoo salmão, que levam a fama de ser as melhores fontes da substância”,garante o especialista em ciência e tecnologia dos alimentos LuizHenrique Beirão, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Muitagente pode estranhar, já que o ômega-3, ácido graxo lotado de vantagenspara a saúde, é típico de peixes de águas gélidas e profundas. “Essasespécies precisam da gordura para evitar que congelem nessas águas”,justifica o químico e cientista de alimentos Jesuí Visentainer, daUniversidade Estadual de Maringá (UEM),no Paraná. Por que, então, a sardinha, que aprecia temperaturas amenas,seria tão rica no ácido graxo? “Por ser migratória e se movimentarmuito, ela armazena a gordura como reserva energética”, responde apesquisadora e doutora em nutrição Cristiane Neiva, do Instituto dePesca de Santos, no litoral paulista. “Sem contar que também sealimenta de algas ricas em ômega-3”, completa.
A sardinha nãosó contém ômega-3 como fornece o ácido graxo em suas melhoresvariantes: o eicosapentaenóico, conhecido como EPA, e odocosahexaenóico, o DHA. A título de comparação, vegetais como alinhaça fornecem a gordura como ácido alfalinolênico. “Essa substânciaé convertida em EPA e DHA graças a enzimas no nosso organismo”, explicaJorge Mancini, especialista em tecnologia de alimentos da Universidadede São Paulo (USP).Mas essas enzimas nem sempre dão conta do recado, especialmente no casode idosos. “E isso compromete o aproveitamento da tal gordura”, concluiMancini. Já a sardinha se alimenta de algas ricas no ácidoalfalinolênico. Assim, a pequena notável se encarrega de transformá- lona dupla benéfica, que fica pronta para ser absorvida por qualquer um,em qualquer situação.
“No corpo humano, essas gorduras do bemminimizam a ação nociva de compostos inflamatórios”, explica onutrólogo Celso Cukier, do Instituto de Metabolismo e Nutrição, em São Paulo. Dessa forma, ajudam na prevenção de uma série de malesque dão as caras em locais díspares como o coração, o intestino e asarticulações. Sem falar que ainda entram na constituição da retina e damassa cinzenta. Recentemente, um trabalho da UFSC analisou asquantidades de ômega-3 em diversos peixes da costa brasileira. Eadivinhe... “A sardinha foi a campeã de EPA, ficando à frente depescados como o bonito e o atum”, confirma Visentainer, um dosresponsáveis pela avaliação.
Finalmente, como qualquer peixeque se preze, ela é fonte de proteínas de excelente qualidade, idealpara manter os músculos em dia, e fósforo, um mineral que participa damineralização dos ossos. Portanto, não faltam motivos para que seinclua essa aventureira dos mares no cardápio. Duas ou três vezes porsemana é o suficiente.
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